Chaves para a Comunicação no Contencioso: do Planejamento ao porta-voz

A gestão da opinião pública durante um ato contencioso está se tornando cada vez mais importante na estratégia jurídica. Hoje, graças ao avanço da Internet e das redes sociais, a existência dos chamados “julgamentos paralelos” é inevitável, especialmente em certos tipos de conflitos judiciais.

contencioso

 

A expressão cunhada há muito tempo pelos anglo-saxões, “O Tribunal de Opinião Pública”, é tão real quanto a própria vida, aludindo ao fato de que, gostemos ou não, os julgamentos da sociedade e da opinião pública ocorrem simultaneamente no julgamento que ocorre dentro da Câmara. E, embora seja o juiz quem decide, quem tem a última palavra e quem, enfim, determina quem ganha ou perde um julgamento, é um júri de opinião pública, com grande influência, efeitos e repercussões, em termos de reputação. 

Todo processo tem um duplo aspecto: legal e de reputação. Com base nessa base, o gerenciamento de julgamento paralelo deve fazer parte, desde o início, da estratégia legal.

A estratégia de comunicação deve se adaptar ao tipo de processo. Um procedimento criminal não é o mesmo que civil, contencioso-administrativo ou comercial, em termos de duração do procedimento ou de sua oralidade. No entanto, embora cada processo seja um mundo, existem várias diretrizes comuns a qualquer procedimento legal em relação ao campo da comunicação.

Uma das chaves do sucesso é iniciar a preparação o mais rápido possível. A antecipação, na medida do possível, é a chave para o sucesso do processo em termos de comunicação. A comunicação deve ser cuidada antes, durante e após o julgamento, sem esquecer que a fase preparatória estabelecerá as bases para o processo. 

Alguns dos casos mais recentes da mídia revelaram como, pelo menos em termos de reputação, a fase em que o processo está em andamento é tão importante quanto o próprio resultado.

Além disso, ousaríamos afirmar que existem várias combinações possíveis para a maneira como um conflito é “resolvido” em termos de comunicação e reputação: o julgamento pode ser vencido ao mesmo tempo em face da opinião pública e no Tribunal judicial, Somente em um deles ou se perca nos dois ao mesmo tempo. Prova disso é que, em mais ocasiões do que o esperado, o julgamento foi vencido em tribunal e, no entanto, a percepção do cidadão é a de ter perdido o caso, ou vice-versa.

Suporte externo de consultores

A possibilidade de ter consultores de comunicação especializados em litígios desempenha um papel relevante nessa área, sempre quando ditada pela gerência jurídica e em coordenação com as equipes jurídicas e de comunicação da empresa. Em outras palavras, a estratégia de comunicação é integrada à estratégia legal do caso.

Em termos de público ou público-alvo, a mídia é apenas um dos grupos aos quais os esforços da estratégia de comunicação são direcionados, mas não os únicos. Não se esqueça do restante das partes interessadas ou grupos de interesse (funcionários, acionistas, etc.) para os quais também será relevante conhecer os fundamentos da parte que os ajudam a reafirmar ou redesenhar sua imagem na reputação da pessoa ou empresa objeto da empresa. conflito Na medida em que seus interesses possam ser afetados, eles se tornam novos jurados que a equipe de gerenciamento de litígios deve levar em consideração.

Quem é o porta-voz e quais são seus desafios?

Dadas as dificuldades usuais em lidar com uma situação complexa (e em muitos casos desconhecida), um dos erros freqüentes é recorrer a “nenhum comentário” diante de uma ligação de um jornalista, como uma mesa de salvação para tentar evitar o interesse que, não esqueça, ele já foi gerado – se queremos ou não – em muitos casos. 

Não se deve esquecer que, na maioria dos casos, “se você não falar, eles farão isso por você” e que uma ligação de um jornalista deve ser vista como uma oportunidade de transferir nosso ângulo e visão do caso. 

Ser claro, direto, breve, não perambular e adaptar o discurso ao conhecimento técnico do jornalista são as melhores dicas para conversar com a mídia. O planejamento das possíveis perguntas e respostas ajudará o sucesso na comunicação com o jornalista. O ensaio e o treinamento são,

A linguagem é um elemento chave em todo processo de comunicação. No que diz respeito a um conflito judicial, dada sua alta componente técnica, o trabalho de “tradução” para uma linguagem mais simples e informativa de cada argumento jurídico é essencial. 

Embora existam exceções suficientes, a velocidade da comunicação e a possibilidade de nosso interlocutor não ser advogado pode levar a termos confusos, como “ação judicial e queixa”, “sentença e ordem”, “testemunha e especialista” etc. Portanto, é vital ajudar os diferentes porta-vozes a romper a complexa linguagem judicial e torná-la um léxico mais acessível para o jornalista e, portanto, para o leitor.

Outra função importante da equipe de porta-vozes em uma disputa é tornar-se a fonte e a principal referência no caso dos jornalistas, para que eles encontrem a solução e a resposta às suas demandas informativas e suas dúvidas, sem contrariar em nenhum caso. os limites do que pode ser contado e do que não, de acordo com a estratégia legal definida acima.

Precisamente uma decisão balada é quem deve ser o porta-voz da mídia (um membro da equipe jurídica, um executivo da empresa, o assunto da disputa etc.). Embora não haja regras gerais aplicáveis ​​a todos os processos, é possível falar de uma série de recursos comuns que o porta-voz deve cumprir. 

Primeiro, deve ser uma pessoa com conhecimento suficiente em vários campos: conhecimento do mercado e do setor, da própria empresa, conhecimento jurídico e comercial e conhecimento do funcionamento da mídia. Também deve ser uma pessoa com capacidade de descer do nível técnico para a análise superficial realizada pelos jornalistas. A acessibilidade é outro recurso que deve ser atendido.

Em muitas ocasiões, é bom que o primeiro executivo da empresa (CEO, CEO ou CEO) seja quem atua como porta-voz, enquanto, em outras ocasiões, é aconselhável ter alguém com um perfil legal sólido, como a pessoa responsável pela empresa. aconselhamento jurídico ou o líder da equipe jurídica externa imersa no caso. 

A seleção de um ou de outro dependerá de vários fatores, mas em todos os casos o porta-voz deve ter a maior versatilidade e capacidade de adaptar seu idioma e mensagens à circunstância, interlocutor ou dificuldade enfrentada ao longo do processo. do processo judicial.

Na medida do possível, o trabalho de identificação do porta-voz pela mídia deve ser facilitado, tornando-o muito mais eficiente para ser um único porta-voz. Da mesma forma, a existência de um único porta-voz favorece a unidade da mensagem. Porém, excepcionalmente, a existência de vários representantes oficiais seria justificada. 

Por exemplo, se as informações forem endereçadas aos acionistas, a presença de um porta-voz que fosse membro do conselho de administração poderia ser justificada ou se a empresa tivesse subsidiárias em diferentes geografias, seria justificado o número de porta-vozes como países ou territórios ocupados pela entidade.

Pelo exposto, não devemos esquecer um elemento-chave que é a Internet e as redes sociais. O suporte on-line possui características especiais de onipresença e globalidade, possui alta acessibilidade, podendo opinar através do anonimato em diversas ocasiões. Além disso, tudo se espalha com grande velocidade desde o “minuto” na Web.

Essas são apenas algumas das características pelas quais as redes sociais, blogs e, em geral, a Internet, devem ser levadas em conta tanto ou mais que a mídia offline tradicional ao gerenciar o efeito que uma disputa sobre reputação pode ter. de seu protagonista. A Internet é um suporte no qual, tanto as boas opiniões quanto os elementos críticos sobre uma pessoa ou empresa, têm uma alta capacidade de permanecer no tempo.

Uma mudança imparável

Ninguém duvida que o mundo do direito tenha sido tradicionalmente definido por seu alto grau de confidencialidade e sua aversão lógica à propagação pública de argumentos legais. No entanto, algo está começando a mudar. 

Em resposta aos novos desafios planejados pela sociedade da informação (e opinião), é cada vez mais comum encontrar equipes de assessores de comunicação de ambos os lados do litígio principal do país, como uma ferramenta para cuidar da reputação do protagonista da caso além do resultado estrito do conflito, uma vez que tenha sido demonstrado que o julgamento da opinião pública pode ser vencido sem comprometer o resultado do processo judicial.

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